Metas que desafiam – por Kalyne Martins

O fim do ano se aproxima e com isso vem em nossa mente o resumo do que fizemos durante o ano juntamente com as lembranças dos objetivos e metas traçadas no início deste. Seus sentimentos são de vitórias ou de frustração? O que você não conseguiu realizar ainda este ano? Os motivos foram por causas externas ou por falta de ação pessoal? Recentemente li o livro de Mark Murphy: Metas que Desafiam- a ciência dos feitos extraordinários. O autor explica porque existem pessoas hiper-realizadoras e mais disciplinadas.

Murphy cita que não há falta de metas, porém existe a dúvida do porquê a maioria das pessoas não realizam plenamente o que prometem todos os dias. Cita que 50% das pessoas fazem resoluções de Ano-Novo para perder peso, parar de fumar, se exercitar, poupar dinheiro, realizar um novo projeto e apenas 13% delas conseguem concretizar seus objetivos.

Muitas empresas têm sistemas formais de estabelecimento de metas, como o de objetivos “SMART” que caracteriza os objetivos em: específicos, mensuráveis, atingíveis, realistas e com prazos de validade. Mas não leva em consideração que as metas que são atingíveis/realistas são fundamentalmente opostas às metas difíceis. Um grande exemplo de quem soube estabelecer metas extraordinárias que desafiam foi Steve Jobs. Ele fez exatamente o oposto do sistema SMART, fez carreira realizando coisas que os outros disseram que jamais poderiam ser feitas.

O autor fala sobre os quatro componentes essenciais das metas que ele chama de extraordinárias, elas são: sinceras, animadas, necessárias e difíceis. Quando você está emocionalmente ligado à sua meta, quando você pode ver e sentir a sua meta, quando esta parece ser necessária à sua sobrevivência e quando testa seus limites, seu cérebro está pronto, e os seus neurônios ficam de fato motivados a realizá-la. Não são os hábitos diários, o intelecto e nem uma planilha com vários números e cálculos descrevendo sua meta que vão torná-la um sucesso. Mas o engajamento de seu cérebro. Porém, quando seu cérebro está indeciso sobre o caminho a seguir ou está entediado em relação às suas metas, nem todos os rituais diários, nem toda a disciplina do mundo vão ajudá-lo a ter sucesso.

Murphy sugere que você se faça algumas perguntas ao pensar na meta mais importante que você já realizou até o atual momento como: aquela meta te desafiou e te forçou a sair da sua zona de conforto? Você tinha uma profunda ligação com aquela meta? Precisou aprender novas habilidades para realizá-la? Foi seu investimento pessoal naquela meta que lhe fez senti-la como absolutamente necessária? Seria capaz de imaginar vividamente o que seria realizar sua meta?

Certamente, tais metas foram incrivelmente desafiadoras, profundamente emocional, altamente visual e absolutamente necessária. A sua mente deve estar viva e agitada ao pensar em tal meta, além disso após realizá-la você se sentiu mais realizado que nunca. Isto é comprovado em 75% das pessoas que conseguem cumprir com as metas que desafiam. O mundo precisa cada vez mais de metas que desafiam e principalmente de líderes que sabem estabelecer metas que desafiam, como Abraham Lincoln, John Kennedy, Albert Einstein e Steve Jobs. Isso é o que tem mantido a civilização moderna por tanto tempo.

O primeiro passo é desenvolver vínculos profundos e sinceros com suas metas, em níveis que são intrínsecos, pessoais e extrínsecos. Aprendendo a usar essas ligações para aumentar o seu poder motivacional para tornar suas metas realizadas. Pense porquê você se importa com sua meta. Se imagine na linha de chegada desfrutando as recompensas ao realizar essa meta. A meta deve pertencer a você, por isso a importância de serem sinceras para poder ter o real valor emocional que o liga a ela. É assim que os patrocinadores de instituições de caridade se sentem, uma ligação sincera com os destinatários, assim como as vendas diretas tendem a ser geradas por meio da força da ligação pessoal entre o vendedor e o comprador.

Desta forma, segundo o autor há três maneiras de criar uma ligação sincera com suas metas: a forma intrínseca (desenvolvendo uma ligação sincera com a meta em si); a forma pessoal (desenvolvendo uma ligação sincera com a pessoa a quem você está dedicando/prometendo a meta); e por último, a forma extrínseca (desenvolvendo uma ligação sincera com a recompensa). Confesso que eu, particularmente, uso mais deste último artifício para realizar o que considero mais difícil.

O segundo passo é criar metas tão vívidas em sua mente que não as alcançar o deixará com o desejo cada vez mais profundo de realizá-las, de fato imaginar você fazendo exatamente aquilo que sua meta propõe. Usando técnicas de visualização e manipulação de imagens como fez Einstein e Tesla, como um mural de figuras imaginárias ou até mesmo impressas em um papel.

O terceiro passo é acabar com a procrastinação. Usando técnicas avançadas de novas ciências como a economia comportamental[1], aprendendo a se convencer da necessidade absoluta de suas metas e tornando as recompensas futuras parecerem mais satisfatórias que os custos dos momentos.

O quarto passo é saber até que ponto a dificuldade de sua meta é realmente satisfatória a ponto de você não desistir e nem se sentir pouco motivado. Assim pensando que se sua meta não for tão animada ela pode ser igualmente importante emocionalmente.

Para estabelecer metas de forma intrínseca você precisará estar mais motivado a fazer algo que adore muito. Para tanto, é preciso diagnosticar seus próprios tropeços e empurrões. Identificando um momento recente que você realmente se sentiu frustrado ou um momento que você realmente se sentiu motivado.

Para estabelecer metas de forma pessoal precisa ter um vínculo humano, uma profunda ligação emocional com outra pessoa para que possa ser o impulso de que você precisa para substituir os pensamentos negativos e conseguir que suas paixões flutuem para sua meta que desafia, como perder peso para viver mais para seus filhos ou fazer um novo curso para ganhar melhor.

Outra dica importante é: individualize e personalize a sua meta. Um exemplo disto foi uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia que analisou doadores que doavam 50% mais quando a vítima era conhecida ou tinham alguma ligação emocional comparativamente com uma vítima estatística, apenas por envolver a parte não analítica do cérebro. Deste modo alavanque a conta emocional dos seus funcionários em prol de grandes metas corporativas. Segundo o autor do livro os números devem vir depois dos sentimentos. Um exemplo perfeito disto é a Apple versus Microsoft.

Murphy diz que “ empresas cujo único sentido existencial é o dinheiro nunca irão superar uma meta cuja existência baseia-se em criar uma ligação emocional com os clientes. E por fim, metas que a priori pareçam desagradáveis podem ser realizadas através da ligação com as recompensas, o foco no fim é tão grande que, como diz o autor, “é um meio aceitável para um fim muito melhor” (relação extrínseca).

E você já elencou as suas metas para 2019? Corre e procura um economista com ênfase em economia comportamental para te ajudar a entender e modelar as tuas decisões de forma realista e maximizadora.

REFERÊNCIA:

MURPHY, Mark. Metas que desafiam: as ciências dos feitos extraordinários. 1ª Edição. EUA: Clio, 2012.

[1] Área da economia que estuda como as pessoas tomam decisões baseadas em hábitos, experiência pessoal e regras práticas e simples, cuja aceitam soluções apenas satisfatórias, buscam rapidez no processo decisório, tem dificuldade em equilibrar interesses de curto e longo prazo e são fortemente influenciadas por fatores emocionais e pelos comportamentos dos outros. Influências psicológicas, emocionais, conscientes e inconscientes que afetam o ser humano em suas escolhas.

http://www.mulheresempreendedoraspi.com.br/site/empreendedorismo/metas-que-desafiam-por-kalyne-martins/

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